“DESACELERAÇÃO DO MERCADO DE SHOPPING E VAREJO OU EXCESSO DE PESSIMISMO?”

Por Michel Cutait em 18 de maio de 2015

optimism

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do primeiro trimestre de 2015, indicando que o varejo acumula uma queda de 0,8%, apesar de apresentar alta de 1% se considerado o acumulado de 12 meses.

Por causa desses dados, o mercado está bastante preocupado com as perspectivas a curto e médio prazo, e, surgem diversas explicações para justificar essas condições econômicas.

E o mercado de Shopping Center sente, também, alguns desses reflexos da desaceleração neste primeiro trimestre, mas é preciso deixar claro que essa situação é uma condição contextual, pontual e mercadológica, e não, exatamente, uma condição essencial e institucional da indústria de Shopping Centers.

Por causa da desaceleração, surgem notícias de que há excesso de Shopping, que os Shopping estão revendo valores de aluguel, que os lojistas estão fechando as portas, e que o cenário é extremamente preocupante.

Obviamente que existem casos em que essas situações ocorrem, mas é preciso separar a exceção da regra, e, além disso, é preciso ponderar e contextualizar qual a condição do mercado de Shopping diante do atual cenário econômico.

Primeiro, como já temos dito em outras oportunidades (vide nosso artigo: “Cenário atual do mercado de Shopping e Varejo no Brasil”), não há excesso de Shopping Centers no Brasil, o que há, neste momento, é uma demanda reprimida do mercado consumidor que diminuiu seu poder de compra para fazer frente aos custos da inflação e ao esforço para quitar a inadimplência.

Mas tanto em números absolutos, como em números relativos, considerando todos as cidades e Estados brasileiros, o mercado de Shopping ainda tem muito para crescer, e crescerá quando o poder de compra voltar ao normal.

Segundo, quando o varejo mostra desaceleração, naturalmente que uma parte das empresas varejistas começam a rever suas estratégias de expansão, passam a ser mais cautelosos na abertura de novas lojas, fazem ajustes nos custos, diminuindo a produção, fazendo corte de pessoal e/ou diminuindo a margem, mas essas medidas são absolutamente naturais no mercado, e sempre estiveram presentes, ora mais acentuadas ora menos.

Nesse contexto, a diminuição na procura de novos pontos comerciais, a iniciativa de renegociar as bases do aluguel das lojas e os ajustes nas receitas e despesas são expedientes que acontecem, e estão bastante vinculados com a oferta e procura, e precisam ser considerados tanto pelo tipo de atividade econômica exercida, como pelo tipo de Shopping em que a loja foi instalada, além da análise sobre o bairro, a cidade ou o Estado, porque todos esses elementos são relevantes para se obter uma conclusão assertiva sobre essas circunstâncias.

Há Shopping Centers que vão muito bem, onde há pouco ou nenhum espaço para negociações, porque a procura é maior que a oferta, e há Shopping Centers em que essa regra se inverte. E essa regra básica da economia é extremamente válida no mercado de Shopping Center.

Vale ainda ponderar sobre uma fato que é essencial para esse entendimento: o dinheiro não desaparece, ele circula, e as vezes se esconde, mas não desaparece.

Nesse processo, há quem perca dinheiro, e há quem ganhe dinheiro, mesmo num contexto de desaceleração econômica como o mercado está passando, há determinados ramos do varejo, como também há Shopping Centers que têm demonstrado sua força, não só pelas atividades que exercem, mas também porque se estruturaram para enfrentar períodos mais duros, seja pelo investimento na tecnologia, seja pelo planejamento fiscal e financeiro, seja pelas soluções estratégicas de marketing que adotaram para conquistar, cativar e surpreender seus consumidores.

De fato há uma desaceleração, e ninguém seria capaz de negar isso, mas as conclusões não podem ser generalizadas e simplistas, porque o mercado de varejo e de Shopping Center é  muito diversificado, amplo, dinâmico e resistente para que as causas e as consequências da desaceleração sejam analisadas sem que sejam considerados o contexto econômico, a sazonalidade, a oferta e procura e a localização geográfica do mercado.

Além disso, também não se pode esquecer um fator que é essencial para dissipar toda e qualquer previsão pessimista em relação ao varejo e aos Shopping Centers, que é a avidez do mercado consumidor brasileiro que, apesar de diminuir com o consumo, não deixou de desejar novas experiências nem se contenta com o velho modelo de varejo, não aceita um atendimento ruim, nem instalações desagradáveis, e muito menos produtos de baixa qualidade, porque agora que os consumidores descobriram outras formas de consumo, do turismo à arte, da gastronomia a cultura, da tecnologia à moda, não há como regredirem nessas experiências e aspirações, e, o mercado precisa estar pronto para atender à essa demanda pujante que em breve voltará às compras.

O mercado de varejo e Shopping Center passa por uma fase que merece atenção, coragem e resiliência, mas que não é diferente de outras fases parecidas com essa, e, e por isso mesmo, agora é hora de abandonar o pessimismo, e focar nos bons exemplos, para investir na criatividade, ajustar os excessos, cativar os clientes, e apostar que as dificuldades também geram oportunidades, vencendo esse momento econômico com paciência, determinação, garra, pro-atividade e esperança.

Michel Cutait

Michel Cutait

Michel Cutait é especialista em Shopping Center e Varejo. Diretor da Make it Work, empresa especializada no desenvolvimento, planejamento, elaboração, produção, execução e administração de negócios para o mercado de Shopping Center e Varejo. Trabalha há 17 anos no mercado, e já colaborou com mais de 48 Shopping Centers e diversos varejistas. Além disso é advogado no Brasil e Portugal, escritor, perito, consultor e professor de cursos de extensão e pós-graduação em Shopping Center e Varejo na ESPM, Fundação Dom Cabral e Universidade Positivo. Também apresenta palestras e realiza treinamentos sobre temas ligados ao mercado de Shopping Center e Varejo. É sócio da Cutait Neto Advocacia e da startup Infinnity Mall, o primeiro Shopping virtual 3D do mercado. Fez Mestrado em Marketing pela Curtin University na Austrália e Mestrado em Relações Sociais pela PUC/SP. Formado em Direito pela UNESP/SP. Certificado em Empreendedorismo em Varejo na Babson College em Boston/USA e Mercado de Ações pela BMF&Bovespa. Também estudou Doutorado em Ciências Jurídico-Economicas na Universidade de Lisboa em Portugal e MBA em Gestão de Shopping na FGV/SP. Administra e mantém o grupo "Shopping & Varejo" na rede de negócios do Linkedin.
Contato: michel@makeitwork.com.br
Michel Cutait

Últimos posts por Michel Cutait (exibir todos)

comments powered by Disqus