O piloto sumiu! Os rumos, a confiança e a esperança no mercado de Shopping e Varejo.

Por Michel Cutait em 05 de abril de 2016

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Nos últimos dias, uma matéria produzida pela competente jornalista Marcia de Chiara do Estadão, divulgou que “Em empreendimentos inaugurados nos últimos três anos, porcentual de lojas ociosas chega a 45%, enquanto em centros comerciais mais antigos a taxa é de 9,1%; crise econômica e expansão descontrolada no setor levaram a essa situação.”.

Sobre a matéria gostaria de fazer um comentário, para tentar elucidar a questão de um ponto de vista mais pragmático. E, desde já, gostaria de afirmar que a sentença acima precisa ser revista na parte que afirma que uma das causas da vacância é a “expansão descontrolada do setor”, porque isso não é verdade sob muitos fundamentos, muitos deles que já cuidamos em outros artigos.

Basicamente o mercado de Shopping cresceu bastante nos últimos anos, principalmente, por causa da forte demanda brasileira. O mercado ainda é pequeno, sobra espaço para crescer, a a demanda está reprimida, como já discutimos antes, vide nosso artigo.

De qualquer forma, a matéria traz uma discussão importante.

Primeiro, apenas para rever os números da matéria, a Abrasce conta 538 Shopping Centers no Brasil, e não 498 como constou na reportagem. Só para pontuar que o segmento ainda é maior.

Se compararmos com os EUA, que tem 12.000 Shoppings, nós somos “bebês” em fase de crescimento. Há quase 100 mil lojas. Mais de 444 milhões de pessoas andam, frequentam e passeiam nos Shoppings brasileiros por mês. E somente os Shoppings, empregam mais de 1 milhão de pessoas.

É uma atividade muito importante para o Brasil, e para as pessoas. Por isso que é comum dizer que o mercado de Shopping e Varejo é um termômetro da economia, porque, de fato, é o mercado que mais demora para sentir os efeitos da desaceleração econômica, mas quando isso acontece, é sinal de que todo o setor produtivo, todo o resto da cadeia econômica já degringolou.

É alarmante.

As pessoas surfaram na onda do crédito fácil, e foram às compras. Mas ninguém ensinou planejamento financeiro, e hoje, há mais de 60% devendo na praça, com o nome no Serasa/SPC. Uma coisa é ganhar 30 mil, e dever 15 mil. A outra é ganhar 3.000 e dever 1.500.

O povo foi enganado com o consumo fácil. O mercado expandiu no mesmo tempo. E agora, que precisamos pagar as contas, o dinheiro se escondeu do mercado.

E a cadeia econômica é simples. O consumidor compra menos, o varejista vende menos, o produtor produz menos, há demissão em todos os segmentos, o que diminui ainda mais consumo, que interfere na expansão das lojas, que faz a oferta de espaços nos Shoppings ficarem maiores que a procura, que gera a situação que a matéria explicou de espaços vagos nos Shoppings.

Mas precisamos ser claros, porque a situação é meio escabrosa.

A oferta não está muito grande, nem a demanda foi satisfeita. Pelo contrário, a demanda em sim, ou seja, a necessidade das pessoas pelos serviços e produtos continua cada vez maior, ou alguém dúvida disso, que o brasileiro precisa de muitas coisas para começar a ter qualidade de vida?

O problema é que a demanda está reprimida, endividada e aturdida com as consequências econômicas das decisões políticas do passado.

E como poderíamos reverter esse quadro?

Não é uma resposta fácil, porque é uma questão endêmica, que envolve muitos aspectos, mas certamente, a solução passa pela retomada da confiança dos investidores de que haverá uma política econômica que favoreça a cadeia produtiva. Algo como: “Eu queira investir, mas como não confio, espero o melhor momento.”

E esse efeito acontece desde as grandes empresas ao cidadão com mais dificuldade.

Pois, podemos afirmar com certeza de que, saindo o governo atual, sem continuidade dessa política equivocada praticada até então, a confiança se restabelece, e a “roda da fortuna” volta a girar.

Há 200 milhões de pessoas no Brasil carentes de todo o tipo de produtos e serviços, e essa demanda, mais cedo ou mais tarde, vai encontrar uma oferta de qualidade. E é nosso papel lutar para que essa oferta melhore a cada dia.

Michel Cutait

Michel Cutait

Michel Cutait é especialista em Shopping Center e Varejo. Diretor da Make it Work, empresa especializada no desenvolvimento, planejamento, elaboração, produção, execução e administração de negócios para o mercado de Shopping Center e Varejo. Trabalha há 17 anos no mercado, e já colaborou com mais de 48 Shopping Centers e diversos varejistas. Além disso é advogado no Brasil e Portugal, escritor, perito, consultor e professor de cursos de extensão e pós-graduação em Shopping Center e Varejo na ESPM, Fundação Dom Cabral e Universidade Positivo. Também apresenta palestras e realiza treinamentos sobre temas ligados ao mercado de Shopping Center e Varejo. É sócio da Cutait Neto Advocacia e da startup Infinnity Mall, o primeiro Shopping virtual 3D do mercado. Fez Mestrado em Marketing pela Curtin University na Austrália e Mestrado em Relações Sociais pela PUC/SP. Formado em Direito pela UNESP/SP. Certificado em Empreendedorismo em Varejo na Babson College em Boston/USA e Mercado de Ações pela BMF&Bovespa. Também estudou Doutorado em Ciências Jurídico-Economicas na Universidade de Lisboa em Portugal e MBA em Gestão de Shopping na FGV/SP. Administra e mantém o grupo "Shopping & Varejo" na rede de negócios do Linkedin.
Contato: michel@makeitwork.com.br
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