“TENDÊNCIAS PARA OS SHOPPING CENTERS”

Por Michel Cutait em 25 de julho de 2017

Os Shopping Centers reagem à medida que o comportamento do consumidor demonstra que precisa, quer e deseja mudanças nas ofertas e na forma de relacionamento com o varejo. O Brasil ainda oferece muitas oportunidades para novos Shopping Centers e para incrementar e melhorar os empreendimentos já instalados, seja com expansões ou com retrofit do equipamento.

Curto, médio e longo prazo.

No curto prazo, os Shopping Centers vão seguir atualizando as ofertas e o mix de lojas, para agregar mais atividades de alimentação, lazer, entretenimento e serviços.

No médio prazo, além do mix, deve haver um crescimento do número de Shopping Centers, em especial de novos modelos como Outlets, temáticos, lifestyle e Strip Malls, porém, em muitos lugares ainda há oportunidade para novos Shopping Centers tradicionais, desde que seja desenvolvido de forma correta, no lugar certo, para o público alvo adequado ao posicionamento do Shopping e com uma arquitetura e projeto que levem em consideração a solução urbana e o conforto dos clientes.

No logo prazo, vamos ver mais Shopping Centers no Brasil, especialmente se a economia reagir e o poder de compra do brasileiro voltar a patamares positivos. Haverá mais diversidade de modelos de Shopping Centers, o omnichannel deve avançar para fazer das lojas físicas um espaço fulfillmfent onde os clientes podem comprar, escolher, retirar ou simplesmente fazer uma visita como se fosse um show room da loja. As soluções digitais e virtuais devem se estender a vários pontos de venda, principalmente começando nos grandes centros para alcançar o interior.

Provavelmente também haverá empreendimentos especializados, voltados à entretenimento e alimentação, e, quem apostar no futuro, deve considerar que os Shopping Centers precisam fazer parte da solução urbana do bairro e da cidade, para que seja incorporado à vida das pessoas com projetos multiuso.

 Experiência ou compras

Os Shopping Centers já não são centros de compras há algum tempo, isso porque os consumidores frequentam esses empreendimentos por diversas razões além das compras, como para lazer, para entretenimento, para satisfazer necessidades e conveniências, para serviços ou simplesmente para passar um tempo fora de casa.

A ideia de um centro organizado e voltado para satisfazer as necessidades dos consumidores não vai mudar, o que deve mudar é a oferta, a arquitetura e ambientação, a forma de se relacionar com o cliente e o uso da tecnologia como um facilitador para atender o cliente em suas múltiplas preferências.

A experiência realmente tem um papel importante porque comprar por comprar perdeu a graça, e a maior parte dos consumidores já sabe diferenciar as boas ofertas, e já não se contenta mais com o básico, porque sabe que merece um bom atendimento, produtos de qualidade e também ser parte da história da marca ou da empresa.

Vamos ver Shopping Centers cada vez melhores, mais atraentes, com ofertas mais amplas, com ações voltadas a engajar os consumidores e espaços mais agradáveis, para que os consumidores sintam que a visita ao Shopping Center seja uma vivencia para guardar nas lembranças.

Mudanças que já começaram.

Os Shopping Centers brasileiros costumam ser pioneiros na adoção de novidades para incrementar o relacionamento com os consumidores, os serviços e conveniências dos empreendimentos mais qualificados do Brasil são exemplo no mundo todo, e cada vez mais os empreendimentos regionais e os novos Shopping Centers estão se inspirando na tendência de ampliar e diferenciar as ofertas para atender os consumidores que estão mais exigentes em suas aspirações e desejos, e que buscam nos Shopping Centers uma oportunidade de realizar e adquirir novas experiências, mas também para solucionar problemas cotidianos, fazer compras e gozar de momentos de alegria e prazer.

Serviços que agregam o mix.

Os Shopping Centers das grandes cidades já perceberam que a vida das pessoas está corrida, e que o tempo é precioso, então, oferecer serviços e conveniências para os consumidores resolve uma parte importante da vida delas, porque permite que elas resolvam obrigações cotidianas em um único lugar, no Shopping.

Então, se perto do seu trabalho há um Shopping com uma academia, o cliente já pode aproveitar o tempo, fazer seus exercícios e voltar para casa com tranquilidade. E isso serve para todos os tipos de serviços, de salões de beleza a agências de correio, tudo que possa facilitar a vida das pessoas é bem vinda dentro de um Shopping Center.

Transformação digital

A transformação digital não é uma finalidade em si, ela é um meio, uma forma de facilitar a vida das pessoas, de aproximar o diálogo, de incrementar o gerenciamento das empresas e de oferecer instrumentos e tecnologias que tornem a vida das pessoas mais acessível e simples.

As inovações tecnológicas, as soluções eletrônicas, a internet das coisas e todos os recursos digitais já estão alterando a forma como as pessoas se relacionam com as empresas, mas não alteram as necessidades das pessoas por produtos e serviços que elas precisam para viver e usufruir de suas experiências, então, o que vamos ver são lojas físicas com soluções digitais, como lojas fulfillment onde o cliente pode comprar, escolher, retirar (BOPIS – buy online pick up in store) ou apenas fazer da loja um show room, também vamos ver um incremento do uso das tecnologias para facilitar as compras e para melhorar o diálogo e relacionamento das empresas com consumidores.

Além disso deve haver um aumento do uso e aproveitamento da realidade virtual e da realidade aumentada, da internet das coisas e de impressões 3D. Mas a aplicação dessas tecnologias será paulatina e acontecerá à medida que ficarem mais acessíveis a todos e que os consumidores passarem a fazer uso dessas inovações de forma espontânea e regular.

Expansão ou fechamento

Há especialistas e analistas que afirmam que a macrotendência do mercado de Shopping Center no Brasil aponta para o fechamento de empreendimentos como acontece, pontualmente, nos Estados Unidos.

Mas, com a realidade que temos hoje no Brasil, não concordo com essa macrotendência, porque essa análise não considera que o Brasil tem mercados muito distintos, que o consumidor brasileiro ainda é um neófito em termos de consumo, que ainda há muitos lugares com oportunidades para bons empreendimentos, que a economia brasileira está recessiva e que a demanda está reprimida.

Além disso, a realidade americana nem de longe pode ser aplicada ao Brasil, primeiro porque eles tem 25 vezes mais Shopping Centers que o Brasil, segundo porque os Shopping Centers que estão fechando são empreendimentos simples, sem graça e com péssima oferta, localizados em subúrbios, sem qualquer atrativo diferente de lojas âncora ou lojas de departamento, terceiro porque o consumidor americano está saturado de compras, produtos e consumo inútil, já sofrem até de transtornos compulsivos de acumulação, e quarto porque essa análise não considera que muitos desses empreendimentos que estão fechando estão se transformando em novas soluções urbanas, como empreendimentos mistos, comerciais e residenciais e muito mais.

O Brasil ainda oferece muitas oportunidades, mas neste momento, os empreendedores precisam ser bastante conservadores, apostar em projetos que se incorporem às soluções urbanas, que ofereçam os produtos e os serviços que o mercado target necessita e deseja, que apostem em soluções tecnológicas para incrementar o relacionamento com os clientes, e que sejam pacientes para ver a economia brasileira voltar a crescer.

Michel Cutait

Michel Cutait

Michel Cutait é especialista em Shopping Center e Varejo. Diretor da Make it Work, empresa especializada no desenvolvimento, planejamento, elaboração, produção, execução e administração de negócios para o mercado de Shopping Center e Varejo. Trabalha há 17 anos no mercado, e já colaborou com mais de 48 Shopping Centers e diversos varejistas. Além disso é advogado no Brasil e Portugal, escritor, perito, consultor e professor de cursos de extensão e pós-graduação em Shopping Center e Varejo na ESPM, Fundação Dom Cabral e Universidade Positivo. Também apresenta palestras e realiza treinamentos sobre temas ligados ao mercado de Shopping Center e Varejo. É sócio da Cutait Neto Advocacia e da startup Infinnity Mall, o primeiro Shopping virtual 3D do mercado. Fez Mestrado em Marketing pela Curtin University na Austrália e Mestrado em Relações Sociais pela PUC/SP. Formado em Direito pela UNESP/SP. Certificado em Empreendedorismo em Varejo na Babson College em Boston/USA e Mercado de Ações pela BMF&Bovespa. Também estudou Doutorado em Ciências Jurídico-Economicas na Universidade de Lisboa em Portugal e MBA em Gestão de Shopping na FGV/SP. Administra e mantém o grupo "Shopping & Varejo" na rede de negócios do Linkedin.
Contato: michel@makeitwork.com.br
Michel Cutait

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